terça-feira, 16 de outubro de 2012

alguma merda

Não é nada demais, é só tristeza e um pouquinho mais de solidão do que devia. Não é nada, é só um pouco de ódio e inércia. Não é nada. É só um gosto amargo, uma visão meio embaçada e uma dor de cabeça. Não é nada. É só mais um copo e mais um maço de cigarros vazio. Não é nada demais, é só mais uma situação e mais um momento de nada demais. Um revolucionário mudo. É um pouco de ócio e de vida cinza. De perguntas retóricas e de vidas sobrevividas. É um machucado que não fecha. É uma cabeça muito cheia. Uma doença que não há cura. É só isso mesmo.



Y.

sábado, 13 de outubro de 2012

algo de errado

Países. Cidades. Casas. Empregos. Carreiras. Uma televisão bem grande. Um abridor de latas elétrico. Me pergunto se eu preciso disso. Me pergunto se a humanidade precisa disso. Me pergunto se o macaco deveria ter deixado as árvores. Se o ser humano teve a dádiva da "inteligência" e não teve inteligência necessária para usá-la. Ocorreu algo de errado na evolução. Algum gene mau. Algum podre por lá. Algo torpe, vil, amargo, algo na inteligência que nos está l vando direto para o abismo. Temos muita água. Mas nem todos bebem. Temos muita comida. Mas nem todos comem. Mas todos temos ganância. Todos queremos mais um pouco. Algo errado deve ter ocorrido muito tempo trás. Algo que fez com que duas coisas sejam infinitas: A ganância do homem e o meu desprezo por fazer parte disso.



Y.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mato

Me sentia tão bem ali, no mato, no nada, no meio da floresta acampando com alguns amigos-desconhecidos. Apesar de estar alto como uma pipa, não era esse o motivo da felicidade. Eu estava bem. Realmente bem, ali, no meio do mato. Senti que faço parte de alguma coisa. A natureza é algo muito bonito e convidativo a se embrenhar. Nenhum ser humano ali no meio, só umas árvores, um pouco de terra e uns insetos. Sabe, nada que me incomode tanto quanto uma conta de luz, uma loja de carros ou uma igreja. Algo que eu poderia me acostumar. Pra sempre.







Y.

Falhar

Falha é um sentimento de não estar fazendo o que é a sua obrigação fazer. Um sentimento frio e do pior tipo. O sentimento que você não cumpriu as expectativas depositadas em você. Você não consegue fazer as pessoas que ama felizes. Você não consegue trabalhar. Você não consegue estudar. Comer. Dormir. Escrever. Ler. Viver. Não consegue fazer nada e a falha consume e domina. A falha toma conta.
O problema é quando a coisa que você falhou não depende de você. O problema é quando depende de coisas muito maiores. Você fica remoendo na sua cabeça o que você poderia, por ventura, em uma jogada de sorte, fazer, para dar tudo certo e ficar tudo legal e você não se tornar uma falha por completo. Mas a resposta vem, e é um nada. Um nada bem impactante. Um nada que toma conta também.








Y.

um problema com a bebida.

Entorno um, dois, três copos. Nada sai da minha mente, tudo se bagunça, tudo se embaralha, se esconde. A visão meio turva, os pensamentos meio tortos, as palavras sem sentido. Tudo parece melhor. Tudo parece mais calmo, amortecido, anestesiado. Tudo parece bem. A bebida faz tudo parecer suportável por um momento, como se fosse um remédio que não ajuda em nada, só ajuda a acabar com os sintomas, mas, na essência, você ainda está morrendo. Eu comecei a beber por causa de uma mulher. Antes a odiava, mas agora vejo o bem que ela me fez e nunca tive a chance de agradecê-la. Triste.





Y.



sábado, 25 de agosto de 2012

6h da manhã de um domingo.

São 6h da manhã de um domingo. Acordei, de novo, de repente. Eufórico, tonto, ansioso. Olho para o lado, o lençol desarrumado, a cama vazia, a cabeça desarrumada, o quarto uma bagunça, minha vida, uma bagunça também. Penso no dia, penso na semana, penso em quão improdutiva foi essa semana, quanto tempo perdi. Sem saco, sem ânimo, sem gosto. Tento projetar planos para sair dessa rotina cinza-escura e sair do buraco, mas meu cérebro não anda operando com eficácia e as respostas não vem, os planos não se projetam, um nada como resposta na minha cabeça, um raio de luz meio laranja bate no meu rosto. Fecho a cortina, volto a dormir.


Y.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mestre da dor.


Você me moldou, enquanto eu estava sendo quebrado em pedaços, e me tornando pateticamente comum, você me ensinou a suportar a dor, com whiskey ou cigarros, o que quer que fosse pra passar. Me ensinou a desabar em lágrimas apenas quando estou sozinho, para as outras pessoas não saberem da minha fraqueza. Você me ensinou a mostrar força, a me opor, ouvir, brigar pelo que eu queria, ter respeito e amor próprio. Você me ensinou tudo que eu sei, quando as lágrimas vem, a esperança morre, eu caio de novo, e morro também, e tudo que você ensinou ainda conta, e me dá certa segurança. Mas você esqueceu de me ensinar a amar, porque você não sabe amar, e as tantas vezes que tentei não ser igual a você, me moldei para este momento, o momento que as lágrimas caiem, e seu rosto vem ao espelho no lugar do meu. Isso importa, algo importa? Eu não suporto mais, queria dar um fim nisso, mas você me mostrou como aguentar essa dor triturando do fundo da alma até os ossos, e graças a você eu sou um pedaço de lixo, mas sem você eu já teria desistido de mim.

                                                                                                                     L. L.